Sentado no centro de tudo que não escolhi
Sem nenhuma missão, sem nenhum roteiro pronto
O mundo continua, e eu ainda sou eu aqui
Sem destino marcado, sem horizonte
A náusea de existir sem explicação
De ser jogado aqui sem ter pedido
A liberdade pesa como uma prisão
Quando o sentido ainda não foi construído
O ócio não é vazio, é o espaço cru
Onde o ser aparece sem máscara e sem nome
Sem o papel que o dia te impôs, é você
Sem agenda que te engole, sem quem te consome
Não precisa ser produtivo pra existir
Não precisa de função pra ser real
O presente não é passagem, é o lugar
Onde tudo o que és pode, enfim, aparecer
Nada acontece, e isso é demais
Nada acontece, e aqui estou eu
Sem missão, sem meta, sem compass
Só este instante, que ninguém me deu
O silêncio é incômodo quando se tem pressa
Mas o silêncio é onde o ser finalmente respira
A realidade não é o que o feed te confessa
É o que sentes quando nada te conspira
Parar não é fracasso, é confronto direto
Com o que és sem plateia, sem curtida
O tédio é um portal, não é um defeito
É o momento em que começa sua vida
Pare, pare, pare
Desliga a tela, desliga o barulho
O que você é sem o papel que te veste?
Nada acontece, e esse nada
É o único lugar onde é livre de verdade
A existência não te deve sentido
O sentido é o que você constrói agora
E o agora só existe se o viver
Não se esqueça da corrida que devora
Nada acontece, e isso é demais
Nada acontece, e aqui estou eu
Sem missão, sem meta, sem compass
Só este instante, que ninguém me deu
Nada acontece
Nada acontece
E aqui estou eu