Fecharam a igreja e abriram um shopping no lugar
Trocaram o sino pela promoção de Black Friday sem parar
Ninguém mais reza, mas todo mundo ainda ajoelha
Diante da vitrine, do parcelamento, da vida em oferta
Matamos o que dava sentido e não colocamos nada no lugar
Só um vazio embrulhado pra parecer sagrado, pronto pra comprar
O altar virou provador, o milagre virou cupom
Rezamos pro algoritmo, nosso novo Deus sem dom
E agora? Quem segura esse vazio que sobrou?
Quem dá sentido pro mundo que a gente mesmo esvaziou?
Não adianta fingir que nada mudou, que nada morreu
O altar tá vazio e a culpa não é só do céu
Deus morto na vitrine e a gente ainda reza
Deus morto na vitrine comprando a própria certeza
Ninguém quer criar valor nenhum
Só quer comprar o que já vem pronto
Não é sobre religião, é sobre o buraco que ficou
Depois que toda certeza herdada finalmente desabou
Podíamos ter criado algo novo com as próprias mãos
Mas preferimos preencher o vazio com mais consumo, mais ilusão
Quem tem coragem de olhar pro abismo sem comprar um analgésico?
Quem tem coragem de criar seu próprio valor no deserto, sem manual, sem serviço?
A vitrine promete sentido, mas só vende reflexo
Eu quero criar o meu, mesmo que doa, mesmo sem sucesso
E agora? Quem segura esse vazio que sobrou?
Quem dá sentido pro mundo que a gente mesmo esvaziou?
Não adianta fingir que nada mudou, que nada morreu
O altar tá vazio e a culpa não é só do céu
Deus morto na vitrine e a gente ainda reza
Deus morto na vitrine comprando a própria certeza
Ninguém quer criar valor nenhum
Só quer comprar o que já vem pronto
Morto
Na vitrine
E ninguém
Percebeu
Se o altar caiu, que caia por inteiro
Não vou remendar com plástico o que já era de barro, já era passageiro
Vou cavar meu próprio sentido nesse chão que sobrou
Nem que eu tenha que criar sozinho tudo que o mundo furtou
Deus morto na vitrine e a gente ainda reza
Deus morto na vitrine comprando a própria certeza
Ninguém quer criar valor nenhum
Só quer comprar o que já vem pronto
E a vitrine continua acesa