Sou livre e sou limite, os dois ao mesmo tempo
Quero decidir tudo e dependo do tempo
Do corpo, da história, dos outros ao redor
Ninguém é ilha, ninguém escolhe sozinho a própria dor
Queriam uma resposta simples, preto ou branco
Mas eu vivo no cinza, no meio, no espanto
De ser ao mesmo tempo condição e vontade
Prisioneiro e autor da própria liberdade
Não existe pureza nessa equação
Não existe escolha sem carregar o outro na mão
Ser livre não é fugir de tudo que me limita
É escolher dentro do que a vida já delimita
Ambíguo eu sou dois em guerra dentro do mesmo peito
Ambíguo nem tudo é escolha, nem tudo é feito
Não existe liberdade sozinha
Minha liberdade passa pela sua também
Se eu me liberto pisando em quem tá do meu lado
Minha liberdade virou apenas mais um pecado
Ser livre de verdade é abrir espaço pro outro ser
Não é ocupar o mundo inteiro, é aprender a dividir e viver
Não é fraqueza reconhecer o que me atravessa
Não é força fingir que nada nunca me pesa
A ambiguidade não é indecisão, é a verdade nua
De quem vive entre o que quer e o que a vida continua
Não existe pureza nessa equação
Não existe escolha sem carregar o outro na mão
Ser livre não é fugir de tudo que me limita
É escolher dentro do que a vida já delimita
Ambíguo eu sou dois em guerra dentro do mesmo peito
Ambíguo nem tudo é escolha, nem tudo é feito
Não existe liberdade sozinha
Minha liberdade passa pela sua também
Livre
E preso
Ao mesmo
Tempo
Parem de exigir de mim uma resposta fechada
A vida não é teorema, é uma pergunta em aberto encarada
Eu vivo na tensão, e é nela que eu me encontro
Não no ponto final, mas em cada novo confronto
Ambíguo eu sou dois em guerra dentro do mesmo peito
Ambíguo nem tudo é escolha, nem tudo é feito
Não existe liberdade sozinha
Minha liberdade passa pela sua também
Ambíguo e inteiro assim