A Pedra Sobe de Novo

Abismo Cavado e Medicado

Acordo, empurro, chego ao topo, ela rola
Acordo, empurro, o relógio não perdoa
Trinta anos empurrando o mesmo peso ladeira acima
Pra ver ele descer de novo antes que eu confirma

Chamam de rotina, eu chamo de condenação
Bate o cartão, empurra a pedra, volta pro portão
Ninguém pergunta se eu escolhi esse castigo
Só cobram resultado, só cobram o litígio

Não tem topo que seja o fim, só tem o topo seguinte
Não tem prêmio no final, só o vale que persiste
Se é castigo do destino ou é só o meu trabalho
Não muda o peso da pedra no meu ombro rachado

A pedra sobe de novo e eu subo com ela
A pedra sobe de novo essa é a única guerra
Não tem sentido na subida
Mas eu decido como eu carrego ela

Perguntam por que eu continuo se nada muda
Porque parar é a única derrota que não se desfaz
Se o mundo é absurdo, eu não preciso mentir
Só preciso empurrar com as costas retas até o fim

Não vou fingir que a pedra tem um propósito sagrado
Não vou fingir que esse ciclo foi por mim desenhado
Mas na subida, só na subida, eu escolho o passo
Ninguém escolhe por mim como eu carrego esse fardo

Não tem topo que seja o fim, só tem o topo seguinte
Não tem prêmio no final, só o vale que persiste
Se é castigo do destino ou é só o meu trabalho
Não muda o peso da pedra no meu ombro rachado

A pedra sobe de novo e eu subo com ela
A pedra sobe de novo essa é a única guerra
Não tem sentido na subida
Mas eu decido como eu carrego ela

Sobe
Rola
Sobe
De novo

Dizem que eu deveria odiar essa ladeira
Mas é subindo ela que eu descobri quem eu era
Se não tem sentido, eu invento o meu
É a única coisa que a pedra nunca vai levar

A pedra sobe de novo e eu subo com ela
A pedra sobe de novo essa é a única guerra
Não tem sentido na subida
Mas eu decido como eu carrego ela

E eu sou feliz empurrando


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